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Machado de Assis e Memórias Póstumas de Brás Cubas: o Realismo Inaugurado

Português 3ª Série EM Machado de Assis: Brás Cubas 10 questoes

Atividade de Português para 3ª Série EM sobre Machado de Assis: Brás Cubas. Pronta para imprimir, editar e compartilhar no CriarProvas.

YH

Por Prof. Ygor Henrique de Oliveira Silva

Professor em formação com anos de experiência em sala de aula, criador e curador do CriarProvas. Atividade gerada com apoio de IA e revisada pelo professor conforme a BNCC. Conheça o autor · LinkedIn

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Informacoes Pedagogicas

Alinhamento BNCC

EM13LP46EM13LP48

Sobre esta atividade

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um dos romances mais originais da literatura brasileira — e da língua portuguesa. Publicado em 1881, ele apresenta um narrador que já está morto: um defunto autor que conta a própria vida com humor, ironia e desdém. O resultado é um retrato impiedoso da sociedade de seu tempo — a burguesia carioca do Segundo Reinado, escravista e vaidosa — e uma reflexão sobre o caráter humano, encabeçada pela frase que define o protagonista: herói sem nenhum caráter.

O que ensinar

Identificar o narrador-personagem defunto autor e seus efeitos (distância irônica, confiabilidade questionável); analisar a ironia machadiana como instrumento crítico; reconhecer a estrutura digressiva do romance (as “duas linhas”); comentar personagens e conflitos (Brás Cubas, Virgília, Lobão, o pai); relacionar a crítica social de Machado à sociedade escravista e burguesa do Segundo Reinado; situar a obra como marco do realismo brasileiro e precursora de romances posteriores (Dom Casmurro).

Conteudo abordado

OBRA: Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicada em 1881 (também em folhetim na Revista Brasileira). NARRADOR: Brás Cubas, morto, narra a própria vida “do outro lado do túmulo” — um DEFUNTO AUTOR, que se dirige ao leitor com familiaridade e ironia, interrompendo a história com digressões, suplementos e provérbios. PERSONAGEM: Brás Cubas é o “herói sem nenhum caráter”: burguês, preguiçoso, egoísta, que relata com desdém as fracassos amorosos, políticos e familiares. ESTRUTURA: o romance é organizado em capítulos curtos, com a famosa passagem das “duas linhas” (a vida reta da ambição e a linha curva dos desvios) — metáfora da digressão e do desvio como método. AMOR: Brás Cubas e Virgília são amantes; ela é casada, e o relacionamento é proibido e cheio de cálculo — retrato da hipocrisia social. FAMÍLIA: o pai de Brás busca para o filho um casamento vantajoso — o interesse financeiro dita as escolhas da elite. CRÍTICA SOCIAL: o romance expõe a sociedade escravista e a moral da elite urbana, com figuras como o deputado, o jornalista e o doutor. Temas: ambição, vaidade, hipocrisia, a inutilidade da existência (“nasci para nada”). OUTRAS OBRAS: Quncas Borba (1891, com o humanitismo — “aos que lançarem pedras...”), Dom Casmurro (1899, Bentinho e Capitu, ciúme e narrador não confiável), Esaú e Jacó (1904).

Como ensinar

Leitura dirigida dos capítulos iniciais (o nascimento e a fórmula “nasci em uma quinta-feira”); dramatização de diálogos com a ironia sublinhada; “caça à ironia”: em dupla, marcar frases em que o narrador diz uma coisa e quer dizer outra; seminário: Brás Cubas × Bentinho (Dom Casmurro) como narradores não confiáveis; produção de microtexto em primeira pessoa com narrador defunto ou anti-herói.

Maiores dificuldades

Achar que Brás Cubas é herói de verdade (é anti-herói, ironizado pelo próprio narrador); confiar cegamente no narrador (a ironia exige leitura dupla); esquecer o ano de 1881 e o contexto do fim do Império; achar que a crítica é só pessoal (é social); não perceber que o humor machadiano é filosófico, não “piada solta”; confundir Brás Cubas com Bentinho (personagens de romances diferentes).

Banca
Machado de Assis e Memórias Póstumas de Brás Cubas: o Realismo Inaugurado
Machado de Assis e Memórias Póstumas de Brás Cubas: o Realismo Inaugurado
Português · Machado de Assis: Brás Cubas · 3ª Série EM · 2026
Leia as frases do narrador com atenção dupla: o que ele diz × o que ele quer dizer. Em cada questão, pense no efeito da ironia e na crítica social por trás do humor.
1. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o narrador é:
A) um defunto autor: o próprio Brás Cubas, morto, que narra a vida após a morte com ironia.
B) um amigo do protagonista, que acompanha seus passos.
C) um narrador onisciente em terceira pessoa, imparcial.
D) a própria natureza, descrita em tom lírico.

2. A autodefinição “herói sem nenhum caráter”, usada por Brás Cubas, revela:
A) um anti-herói egoísta e falho, cujo próprio narrador admite a falta de virtude — crítica à burguesia.
B) um cavaleiro de alta moral, modelo de conduta.
C) um personagem de romance histórico.
D) um poeta romântico em crise.

3. A narrativa em primeira pessoa com ironia, em Machado, produz entre outros efeitos:
A) distância crítica: o leitor percebe o que o narrador não diz ou contradiz, participando da crítica.
B) objetividade total, sem julgamento possível.
C) compaixão irrestrita pelo protagonista.
D) ausência de posicionamento do autor.

4. A passagem das “duas linhas” (a linha reta da ambição e a linha curva dos desvios) no romance:
A) é metáfora da digressão e do desvio como método narrativo — a vida de Brás é feita de atalhos e fracassos.
B) descreve o traçado de uma estrada de ferro.
C) refere-se a dois países em guerra.
D) é um manual de geometria.

5. O relacionamento entre Brás Cubas e Virgília ilustra, no romance:
A) a hipocrisia da moral da elite: um amor proibido, cheio de cálculo e conveniências sociais.
B) um amor romântico idealizado, à moda de Alencar.
C) a luta de classes na escravidão.
D) a amizade leal entre dois burgueses.

6. A crítica social de Memórias Póstumas de Brás Cubas atinge principalmente:
A) a sociedade escravista e burguesa do Segundo Reinado — sua moral, vaidade e hipocrisia.
B) apenas a monarquia europeia.
C) o meio ambiente do século XIX.
D) os indígenas pré-colombianos.

7. Quncas Borba (1891), romance posterior de Machado, é conhecido por apresentar:
A) o humanitismo — doutrina fictícia do personagem Rubião, com o princípio “aos que lançarem pedras, respondei com flores”.
B) a guerra do Paraguai.
C) a Abolição vista pelos escravizados.
D) o cotidiano de uma cortiça carioca.

8. Dom Casmurro (1899) é outro marco de Machado porque:
A) apresenta Bentinho como narrador não confiável, cujo relato sobre Capitu alimenta a dúvida sobre ciúme e traição.
B) é escrito em verso, como um poema épico.
C) conta a vida de Jesus Cristo.
D) se passa em São Paulo no século XX.

9. O humor em Machado de Assis:
A) é filosófico e irônico: rir para pensar, expor a moral e a sociedade sem sermão direto.
B) é apenas entretenimento, sem intenção crítica.
C) é sempre grotesco e exagerado.
D) é inexistente na obra machiana.

10. Memórias Póstumas de Brás Cubas marcou a literatura brasileira porque:
A) inaugurou o realismo, com narrador defunto, ironia e crítica social — rompendo com o romantismo.
B) foi o primeiro livro escrito em português.
C) introduziu o verso livre no Brasil.
D) premiou Machado na Academia Francesa.

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