Filosofia: Teoria do Conhecimento
Atividade de Filosofia para 2ª Série EM sobre Filosofia: Teoria do Conhecimento. Pronta para imprimir, editar e compartilhar no CriarProvas.
Informacoes Pedagogicas
Alinhamento BNCC
Sobre esta atividade
Atividade sobre Teoria do Conhecimento (Gnosiologia) para o 2ª Série do Ensino Médio, abordando as principais correntes epistemológicas: dogmatismo, ceticismo, empirismo, racionalismo, criticismo kantiano e teorias da verdade.
O que ensinar
Compreender a definição clássica de conhecimento como crença verdadeira justificada; analisar as posições do dogmatismo e do ceticismo sobre a possibilidade do conhecimento; distinguir empirismo (Locke, Hume) e racionalismo (Descartes, Leibniz) quanto à origem do conhecimento; explicar a Revolução Copernicana de Kant e a distinção entre fenômeno e númeno; confrontar as teorias da verdade (correspondência, coerência, pragmatismo); discutir o conhecimento científico segundo Popper, Kuhn, Lakatos e Feyerabend.
Conteudo abordado
A Teoria do Conhecimento (ou Gnosiologia) é o ramo da Filosofia que investiga a origem, a natureza, os limites e a validade do conhecimento humano. A definição clássica, herdada de Platão, afirma que conhecimento é crença verdadeira justificada (episteme): para que algo seja considerado conhecimento, a pessoa deve acreditar nisso, isso deve ser verdade, e a pessoa deve ter boas razões (justificação) para crer. Quanto à possibilidade do conhecimento, duas posições fundamentais se opõem: o dogmatismo (afirma que podemos conhecer a verdade com certeza) e o ceticismo (nega essa possibilidade). O ceticismo radical (Pirro de Élis) defende a suspensão do juízo (epoqué) diante de toda afirmação. O ceticismo moderado (David Hume) aceita o conhecimento provável baseado no hábito e na experiência, mas nega a certeza absoluta, especialmente sobre causalidade e indução. O debate entre empirismo e racionalismo domina a epistemologia moderna. O empirismo (John Locke, David Hume) afirma que todo conhecimento deriva da experiência sensorial. Locke rejeita as ideias inatas: a mente é uma tábula rasa preenchida pela experiência. As ideias simples vêm dos sentidos (sensação) e da reflexão (operação da mente sobre as ideias simples), e as ideias complexas são combinações de ideias simples. Hume distingue impressões (percepções vívidas e imediatas) de ideias (cópias enfraquecidas das impressões). Para Hume, a causalidade é apenas um hábito mental baseado na conjunção constante de eventos, não uma conexão necessária real. O racionalismo (René Descartes, Gottfried Leibniz) afirma que a razão é a fonte principal do conhecimento. Descartes, partindo da dúvida metódica (duvidar de tudo que pode ser duvidado), encontra a primeira certeza: Penso, logo existo (cogito ergo sum). A partir do cogito, Descartes prova a existência de Deus (como ser perfeito que não engana) e, por meio Dele, garante a validade do conhecimento do mundo exterior. Descartes defende a existência de ideias inatas (não derivadas da experiência). Leibniz distingue verdades de razão (necessárias, universais, baseadas no princípio de não contradição) de verdades de fato (contingentes, baseadas no princípio de razão suficiente). Immanuel Kant propõe uma superação (síntese) entre empirismo e racionalismo com sua Revolução Copernicana: assim como Copérnico inverteu a relação Terra-Sol, Kant inverte a relação sujeito-objeto no conhecimento. O sujeito não é passivo diante do objeto; ele é ativo, impondo formas a priori (espaço e tempo como formas da sensibilidade, categorias do entendimento como causalidade, substância, quantidade, qualidade) ao material fornecido pela experiência. Conhecemos apenas o fenômeno (a coisa como aparece para nós), não o númeno (a coisa em si mesma). O conhecimento científico é possível graças aos juízos sintéticos a priori, que ampliam nosso conhecimento (sintéticos) e são universais e necessários (a priori). Quanto à verdade, há três teorias principais: a teoria da correspondência (Aristóteles: verdade é a adequação entre o pensamento e a realidade), a teoria da coerência (verdade é a consistência lógica dentro de um sistema de proposições) e o pragmatismo (Peirce, James: verdade é aquilo que funciona, que tem consequências práticas úteis). No campo da filosofia da ciência, Karl Popper propõe a falseabilidade (refutabilidade) como critério de demarcação entre ciência e não-ciência: uma teoria é científica se puder ser falseada por observações. Thomas Kuhn introduz o conceito de paradigma e revoluções científicas (mudanças descontínuas de paradigma). Imre Lakatos propõe os programas de pesquisa científica (núcleo duro protegido por cinturão protetor de hipóteses auxiliares). Paul Feyerabend defende o anarquismo metodológico (vale tudo, não há método único da ciência).
Como ensinar
Iniciar com a pergunta: como sabemos o que sabemos? Problematizar situações cotidianas de conhecimento. Usar exemplos concretos para contrastar empirismo (aprender pelo tato, visão, audição) e racionalismo (certezas matemáticas, lógicas). Promover debate sobre se é possível ter certeza de algo. Analisar trechos originais de Descartes (Meditações), Locke (Ensaio sobre o Entendimento Humano), Hume (Investigação sobre o Entendimento Humano) e Kant (Crítica da Razão Pura). Propor a construção de mapas conceituais relacionando as correntes epistemológicas. Relacionar o conteúdo com questões contemporâneas como fake news, pós-verdade e conhecimento científico.
Maiores dificuldades
Dificuldade em compreender conceitos abstratos como ideias inatas, juízos sintéticos a priori e númeno; confusão entre dogmatismo e dogmatismo religioso; dificuldade em distinguir ceticismo radical de ceticismo moderado; compreensão do argumento do cogito cartesiano e sua relação com a prova da existência de Deus; dificuldade em diferenciar as teorias da verdade; abstração necessária para entender a Revolução Copernicana de Kant.
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