Literatura Contemporânea
Atividade de Português para 3ª Série EM sobre Literatura Contemporânea. Pronta para imprimir, editar e compartilhar no CriarProvas.
Informacoes Pedagogicas
Alinhamento BNCC
Sobre esta atividade
Atividade sobre Literatura Contemporânea Brasileira para o Ensino Médio, abordando a produção literária do pós-1960 até a atualidade, incluindo poesia concreta, poesia marginal, prosa contemporânea, dramaturgia e as novas vozes da literatura marginal, feminina e afro-brasileira.
O que ensinar
Compreender o contexto histórico e cultural da literatura brasileira contemporânea (Ditadura Militar, redemocratização, globalização, cultura digital); analisar a poesia concreta e seus princípios (verbivocovisual, função lúdica, noigandres); identificar as características da poesia marginal dos anos 1970 (circulação alternativa, coloquialidade, humor); reconhecer autores representativos da prosa contemporânea (Rubem Fonseca, Milton Hatoum, Luiz Ruffato, Daniel Galera, Bernardo Carvalho); discutir a fragmentação, a metalinguagem, o realismo sujo e a narrativa não linear; analisar a literatura marginal periférica e afro-brasileira (Conceição Evaristo, Ferréz, Carolina Maria de Jesus); identificar as contribuições de Manoel de Barros, Adélia Prado, Ferreira Gullar e Dalton Trevisan.
Conteudo abordado
A literatura brasileira contemporânea compreende o período do pós-1960 até os dias atuais, marcado por profundas transformações políticas, sociais e culturais. O contexto histórico inclui a Ditadura Militar (1964-1985), a redemocratização, a globalização, a ascensão da cultura digital e das redes sociais. A poesia concreta, iniciada na década de 1950 com o grupo Noigandres (Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos), propõe a exploração visual e sonora do poema, com ênfase no verbivocovisual — a integração entre palavra, som e imagem. O poema concreto é um objeto no espaço, com eliminação do verso tradicional, uso de diagramação, colagem e espaços em branco. O poema-processo (Wlademir Dias-Pino) radicaliza a proposta ao dispensar o suporte verbal. A poesia marginal, também chamada de geração mimeógrafo, surge nos anos 1970 como reação à censura e ao formalismo. Os poetas produziam seus livros de forma artesanal, em mimeógrafos, distribuindo em bares, praias e faculdades. Destacam-se Chico Buarque (poesia), Ana Cristina César, Cacaso, Torquato Neto, Waly Salomão e Paulo Leminski. A linguagem é coloquial, irônica, autobiográfica e de tom confessional. A prosa contemporânea é marcada pela diversidade temática e formal. Rubem Fonseca (Feliz Ano Novo, O Caso Morel) inaugura um estilo de violência urbana, erotismo e linguagem direta e cruel. João Antônio (Malagueta, Perus e Bacanaço) retrata o universo marginal dos malandros e jogadores. Ivan Ângelo (A Festa) e Sérgio Sant'Anna (O Concerto, Um Romance de Geração) exploram a fragmentação narrativa e a metalinguagem. Milton Hatoum (Relato de um Certo Oriente, Dois Irmãos) traz a temática da imigração, da identidade e da memória no Amazonas. Bernardo Carvalho (Nove Noites, Mutação) mescla ficção e não ficção, criando romances-reportagem. Luiz Ruffato (Eles Eram Muitos Cavalos) constrói uma narrativa fragmentada sobre São Paulo. Daniel Galera (Mãos de Cavalo, Barba Ensopada de Sangue) representa a nova geração. Chico Buarque (Leite Derramado, Estorvo) produz uma narrativa lírica e memorialística. A ficção histórica de Ana Miranda (Boca do Inferno) e o memorialismo de Pedro Nava e Murilo Mendes também se destacam. No conto, Dalton Trevisan (O Vampiro de Curitiba) e Lygia Fagundes Telles (A Disciplina do Amor) são referências. Na poesia, Adélia Prado trabalha o cotidiano e o sagrado; Manoel de Barros celebra a infância, o nada e a desimportância com uma linguagem inventiva; Ferreira Gullar escreve o épico Poema Sujo. Na dramaturgia, Nelson Rodrigues (teatro realista), Plínio Marcos, Augusto Boal e Gerald Thomas representam diferentes vertentes. A literatura marginal periférica, com Ferréz (Capão Pecado), e a literatura afro-brasileira, com Conceição Evaristo (Ponciá Vicêncio, Olhos D'Água), Carolina Maria de Jesus (Quarto de Despejo) e Maria Firmina dos Reis (Úrsula), ampliam o cânone com novas vozes e perspectivas identitárias. A literatura contemporânea caracteriza-se pela fragmentação, não linearidade, metalinguagem, realismo sujo, diversidade de vozes e a incorporação de elementos da cultura de massa e digital.
Como ensinar
Iniciar com uma linha do tempo contextualizando os eventos históricos (Ditadura, redemocratização, globalização); exibir poemas concretos projetados e analisar a disposição visual e sonora; distribuir exemplares artesanais de poesia marginal (fotocópias, zines) para simular a circulação alternativa; realizar leitura dramatizada de contos de Rubem Fonseca e Dalton Trevisan; propor análise comparativa entre trechos de Milton Hatoum e Luiz Ruffato quanto à fragmentação narrativa; utilizar excertos de filmes adaptados das obras; promover roda de leitura com poemas de Manoel de Barros e Adélia Prado; discutir a representatividade na literatura com textos de Conceição Evaristo e Ferréz; aplicar exercícios de identificação de características literárias em trechos selecionados.
Maiores dificuldades
Alunos podem ter dificuldade em compreender a proposta visual da poesia concreta, sendo necessário explicar o conceito de verbivocovisual com exemplos práticos; a fragmentação narrativa da prosa contemporânea pode gerar estranhamento, exigindo mediação do professor; a temática da violência em Rubem Fonseca pode demandar contextualização histórica e discussão ética; a distinção entre poesia marginal e poesia concreta deve ser reforçada com exercícios comparativos; a literatura afro-brasileira e marginal requer sensibilidade para discutir questões raciais e sociais. Sugere-se uso de mapas conceituais e tabelas comparativas.
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