Filosofia: Ética e Cidadania
Atividade de Filosofia para 1ª Série EM sobre Filosofia: Ética e Cidadania. Pronta para imprimir, editar e compartilhar no CriarProvas.
Informacoes Pedagogicas
Alinhamento BNCC
Sobre esta atividade
Esta atividade propõe uma introdução à reflexão ética na filosofia ocidental, percorrendo os principais pensadores e correntes: Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant, Utilitarismo e filósofos contemporâneos. A partir dessas bases, o estudante é convidado a relacionar ética e cidadania, compreendendo a importância da participação democrática e dos direitos fundamentais.
O que ensinar
Ensinar a distinção entre ética e moral; o pensamento ético de Sócrates (virtude como conhecimento), Platão (justiça como harmonia da alma) e Aristóteles (virtude como meio-termo); o imperativo categórico kantiano; o princípio utilitarista de Stuart Mill; noções de bioética, ética ambiental e justiça social em Rawls; o conceito de cidadania de Marshall e a relação com a democracia e a Constituição de 1988.
Conteudo abordado
Ética (do grego ethos = caráter, costume) é a reflexão filosófica sobre os fundamentos da moral, ou seja, sobre o que torna uma ação boa ou má, certa ou errada. Moral é o conjunto de valores, normas e costumes de uma sociedade em um dado contexto histórico. Enquanto a moral é prática e socialmente determinada, a ética é teórica e universalizante, buscando princípios racionais para o agir. Na Grécia Antiga: Sócrates (469-399 a.C.) inaugurou a reflexão ética com o 'conhece-te a ti mesmo'. Para ele, a virtude (areté) é conhecimento; ninguém erra por vontade própria, mas por ignorância do bem. Sua morte, ao recusar fugir da condenação, demonstra a importância de viver conforme princípios justos. Platão (428-347 a.C.) desenvolveu a teoria das Ideias: o mundo sensível é cópia imperfeita do mundo inteligível. A alma é tripartite (racional, irascível, concupiscente). A justiça é a harmonia entre essas três partes, cada uma cumprindo seu papel. O governante deve ser o filósofo-rei, pois conhece o Bem. Aristóteles (384-322 a.C.), na Ética a Nicômaco, define o bem supremo como eudaimonia (felicidade), que consiste na atividade da alma em conformidade com a virtude. As virtudes são disposições adquiridas. A virtude ética é o meio-termo entre dois extremos (vícios): coragem é o meio-termo entre covardia e temeridade. Divide as virtudes em éticas (relacionadas à vontade) e dianoéticas (relacionadas à inteligência). Na filosofia moderna: Immanuel Kant (1724-1804) propõe uma ética deontológica (baseada no dever). O imperativo categórico é o princípio moral fundamental: 'Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal'. Ação moral é aquela feita por dever, não por inclinação ou interesse. A autonomia da vontade é a capacidade de dar a si mesmo a lei moral. John Stuart Mill (1806-1873) e o Utilitarismo: uma ação é moralmente correta se produz a maior felicidade para o maior número de pessoas. Princípio da utilidade: maximizar o bem-estar e minimizar o sofrimento. Ética contemporânea: Bioética (princípios de autonomia, beneficência, não maleficência e justiça aplicados à saúde e à vida: aborto, eutanásia, clonagem, transgênicos, pesquisas com células-tronco). Ética ambiental (Hans Jonas: princípio da responsabilidade com as futuras gerações). John Rawls (1921-2002): teoria da justiça como equidade. O véu da ignorância é um experimento mental em que as pessoas escolhem princípios de justiça sem saber sua posição social. Dois princípios: (1) igualdade de liberdades básicas; (2) desigualdades só são aceitáveis se beneficiarem os menos favorecidos (princípio da diferença). Cidadania: T.H. Marshall define três dimensões: direitos civis (liberdades individuais, devido processo legal), direitos políticos (participação no governo, voto) e direitos sociais (educação, saúde, previdência). A cidadania plena exige a garantia desses três pilares. A democracia é o regime em que o poder emana do povo. No Brasil, a Constituição de 1988 (Constituição Cidadã) garante amplos direitos individuais e sociais. A participação cidadã vai além do voto: envolve controle social, atuação em movimentos sociais, ONGs, conselhos municipais e busca por transparência.
Como ensinar
Promover debates sobre dilemas éticos (ex.: deve-se mentir para salvar uma vida?). Relacionar a filosofia antiga ao cotidiano do estudante. Utilizar casos concretos de bioética para aplicar o imperativo categórico e o utilitarismo. Analisar a Constituição Federal e discutir quais direitos são efetivamente garantidos. Propor redação sobre o que significa ser cidadão no Brasil hoje.
Maiores dificuldades
Dificuldade em abstrair conceitos filosóficos como o imperativo categórico e o véu da ignorância; tendência a confundir ética com moral tratando-as como sinônimos; resistência em aplicar teorias filosóficas a problemas concretos; dificuldade em compreender a tripartição da alma em Platão e a doutrina do meio-termo de Aristóteles.
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