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Filosofia: Ética, Cuidado e Responsabilidade

Filosofia 1ª Série EM Dia dos Pais: Ética e Responsabilidade 10 questoes

Atividade de Filosofia para 1ª Série EM sobre Dia dos Pais: Ética e Responsabilidade. Pronta para imprimir, editar e compartilhar no CriarProvas.

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Informacoes Pedagogicas

Alinhamento BNCC

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Sobre esta atividade

Atividade sobre ética, cuidado e responsabilidade a partir da temática da paternidade, abordando filósofos como Hans Jonas, Heidegger, Leonardo Boff e Emmanuel Lévinas, além do Estatuto da Criança e do Adolescente.

O que ensinar

Compreender a paternidade como questão ética; analisar o conceito de responsabilidade em Hans Jonas (Princípio Responsabilidade); refletir sobre o cuidado como categoria ética em Heidegger (Sorge) e Leonardo Boff; relacionar direitos e deveres parentais com o ECA; discutir alteridade e responsabilidade pelo outro em Lévinas; identificar virtudes associadas ao 'bom pai'; refletir sobre pais imperfeitos, perdão e crescimento.

Conteudo abordado

A paternidade pode ser compreendida como uma questão ética fundamental, pois envolve a responsabilidade de um ser humano por outro vulnerável e dependente. O filósofo Hans Jonas, em O Princípio Responsabilidade (1979), argumenta que a técnica moderna ampliou o alcance das ações humanas e, com isso, nossa responsabilidade pelo futuro da humanidade e pelos mais vulneráveis. Para Jonas, a responsabilidade é um princípio ético que exige que consideremos as consequências de nossas ações sobre as gerações futuras. Aplicado à paternidade, significa que o pai tem responsabilidade não apenas pelo sustento material, mas pelo desenvolvimento integral do filho. Martin Heidegger, em Ser e Tempo, desenvolve o conceito de cuidado (Sorge) como estrutura fundamental do ser-no-mundo: o ser humano é essencialmente cuidado, e é a partir do cuidado que nos relacionamos com os outros e com o mundo. Leonardo Boff, em O Cuidado Necessário, aprofunda essa perspectiva, afirmando que o cuidado é a essência da vida, expresso na amorosidade, na ternura, na compaixão e na responsabilidade pelo outro. O cuidado seria aquilo que mantém a vida e permite o florescimento humano. Para Boff, o cuidado é mais que uma ação pontual: é uma atitude existencial que envolve preocupação, responsabilidade e envolvimento afetivo. A relação pai-filho é paradigmática do cuidado: o pai cuida do filho alimentando, educando, protegendo, amando. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA — Lei 8.069/90) estabelece juridicamente esses deveres: direito à convivência familiar, dever de sustento, guarda, educação, respeito e dignidade. Do ponto de vista do contratualismo, John Locke, no Segundo Tratado sobre o Governo Civil, argumenta que os filhos não são propriedade dos pais, mas seres livres que nascem com direitos naturais; a autoridade parental é temporária e visa proteger e educar a criança até que atinja a autonomia. Jean-Jacques Rousseau, em Emílio, defende uma educação natural que respeite o desenvolvimento espontâneo da criança, cabendo ao pai o papel de guia e facilitador, não de impositor. O ideal ético do 'bom pai' envolve virtudes como paciência, dedicação, exemplo, escuta e presença. Emmanuel Lévinas propõe a ética como responsabilidade pelo rosto do outro: o encontro com o outro nos convoca a uma responsabilidade infinita. O rosto do filho, em sua vulnerabilidade, exige do pai uma resposta ética. Por fim, a paternidade real envolve imperfeições, erros, limites. A ética paterna inclui também o reconhecimento dos próprios limites, o pedido de perdão e a abertura ao crescimento mútuo na relação pai-filho.

Como ensinar

Iniciar com a pergunta disparadora: 'O que significa ser um bom pai?' e registrar respostas no quadro. Apresentar os conceitos de responsabilidade e cuidado por meio de trechos selecionados de Hans Jonas e Leonardo Boff. Realizar leitura compartilhada de artigos do ECA sobre direitos e deveres dos pais. Promover debate sobre o que significa 'cuidar' de um filho para além do sustento material. Exibir cenas de filmes que abordem a relação pai-filho (Como Estrelas na Terra, Extraordinário, À Procura da Felicidade) e discutir à luz dos conceitos filosóficos. Trabalhar com músicas que falem sobre pai e refletir sobre o ideal versus o real na paternidade.

Maiores dificuldades

Conceitos como Sorge (cuidado) em Heidegger e responsabilidade pelo outro em Lévinas são abstratos e exigem mediação cuidadosa. Alunos podem ter dificuldade em conectar teoria filosófica à experiência concreta da paternidade. A discussão sobre 'pais imperfeitos' deve ser conduzida com sensibilidade, considerando possíveis experiências negativas dos alunos com suas próprias figuras paternas. Recomenda-se usar exemplos concretos e linguagem acessível, além de criar um ambiente seguro para compartilhamento de experiências.

Banca
Filosofia: Ética, Cuidado e Responsabilidade
Filosofia: Ética, Cuidado e Responsabilidade
Filosofia · Dia dos Pais: Ética e Responsabilidade · 1ª Série EM · 2026
Leia atentamente todas as questões antes de responder.
1. Hans Jonas, em O Princípio Responsabilidade, defende que a responsabilidade ética na contemporaneidade deve considerar:
A) as consequências das ações humanas sobre as gerações futuras e os vulneráveis, especialmente diante do poder da técnica moderna.
B) apenas as obrigações contratuais entre indivíduos adultos e autônomos no presente.
C) a maximização do prazer individual, independentemente dos efeitos sobre os outros.
D) a obediência a normas religiosas tradicionais como único fundamento moral.

2. Para Martin Heidegger, o conceito de cuidado (Sorge) é:
A) uma estrutura fundamental do ser-no-mundo, caracterizando o modo como o ser humano se relaciona consigo, com os outros e com o mundo.
B) um sentimento secundário que surge apenas em relações familiares específicas.
C) uma obrigação moral imposta pela sociedade, sem relação com a existência humana.
D) um conceito exclusivamente religioso relacionado à caridade cristã.

3. Leonardo Boff, em O Cuidado Necessário, afirma que o cuidado é:
A) essencial à vida, expresso na amorosidade, ternura, compaixão e responsabilidade pelo outro.
B) um conceito abstrato sem aplicação prática na vida cotidiana.
C) apenas uma obrigação profissional de cuidadores e enfermeiros.
D) uma fraqueza que deve ser superada em nome da eficiência e produtividade.

4. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA — Lei 8.069/90) estabelece que são deveres dos pais, EXCETO:
A) garantir aos filhos bens materiais ilimitados, independentemente das condições financeiras da família.
B) assegurar o direito à convivência familiar e comunitária.
C) prover o sustento, a guarda e a educação dos filhos.
D) respeitar a dignidade da criança e do adolescente, vedando tratamento cruel ou degradante.

5. John Locke, em sua teoria contratualista, argumenta que a autoridade dos pais sobre os filhos:
A) é temporária e visa proteger e educar a criança até que atinja a autonomia, pois os filhos não são propriedade dos pais.
B) é absoluta e vitalícia, pois os filhos pertencem aos pais como propriedade.
C) não existe, pois as crianças são seres completamente autônomos desde o nascimento.
D) é delegada pelo Estado aos pais, que podem exercê-la sem qualquer limite.

6. Em O Emílio, Jean-Jacques Rousseau defende que a educação da criança deve:
A) respeitar o desenvolvimento natural e espontâneo da criança, cabendo ao pai o papel de guia e facilitador.
B) ser rígida e disciplinar desde o nascimento para moldar o caráter da criança.
C) ser realizada exclusivamente por instituições estatais, sem participação dos pais.
D) priorizar o ensino de ofícios manuais em detrimento da educação moral.

7. Para Emmanuel Lévinas, a ética fundamenta-se na:
A) responsabilidade infinita que o rosto do outro, em sua vulnerabilidade, exige de nós.
B) busca da felicidade individual como princípio máximo da moral.
C) obediência a leis universais estabelecidas pela razão autônoma.
D) maximização do bem-estar coletivo calculado racionalmente.

8. São virtudes frequentemente associadas ao ideal ético do 'bom pai', EXCETO:
A) indiferença e distanciamento afetivo para não mimar os filhos.
B) paciência e dedicação ao desenvolvimento dos filhos.
C) exemplo de conduta ética e responsabilidade.
D) presença ativa e escuta atenta das necessidades dos filhos.

9. Considerando a ética do cuidado e da responsabilidade, uma paternidade eticamente responsável envolve:
A) cuidado integral com o filho, responsabilidade pelo seu desenvolvimento, reconhecimento dos próprios limites e abertura ao crescimento mútuo.
B) exclusivamente o cumprimento da obrigação legal de pagar pensão alimentícia.
C) imposição de autoridade irrestrita para garantir a obediência do filho.
D) terceirização do cuidado para instituições, mantendo distanciamento emocional.

10. A partir dos conceitos de responsabilidade de Hans Jonas e de cuidado de Leonardo Boff, redija um texto dissertativo refletindo sobre o que significa ser um pai eticamente responsável na sociedade contemporânea. Em sua reflexão, aborde: (a) o que é responsabilidade para Jonas e como ela se aplica à relação pai-filho; (b) o que é cuidado para Boff e de que forma ele se manifesta na paternidade; (c) a relação entre responsabilidade, cuidado e alteridade na experiência paterna, considerando também os limites e imperfeições inevitáveis na prática parental.

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