Artigo de Guia

Funções Principais da Linguagem: Referencial, Emotiva, Conativa, Fática, Poética e Metalinguística

Estude todas as funções da linguagem de Jakobson: referencial, emotiva, conativa, fática, poética e metalinguística. Conceito histórico, tabela comparativa com exemplos, modelo de comunicação e 30 questões interativas com gabarito.

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Prof. Ricardo Almeida📅 21/08/2026⏱️ 22 min

Conceito e histórico das funções da linguagem

O estudo das funções da linguagem nasceu da necessidade de entender para que serve a linguagem além de simplesmente transmitir informação. Ao longo do século XX, diversos linguistas propuseram modelos para classificar os diferentes usos da língua, cada um com suas particularidades e focos distintos. Compreender a evolução desses modelos é fundamental para dominar o tema e resolver questões de provas com segurança e precisão.

📌 Origem do conceito

O termo "função da linguagem" foi popularizado pelo linguista russo Roman Jakobson em 1960, no artigo "Linguistics and Poetics". No entanto, estudos anteriores já abordavam usos semelhantes: Karl Bühler (1933) propôs três funções (representativa, expressiva e apelativa), e Charles Morris (1938) classificou a linguagem em três dimensões (semântica, sintática e pragmática). O modelo de Jakobson, porém, tornou-se o mais completo e mais cobrado em provas do ensino médio e vestibulares brasileiros.

Karl Bühler, em sua obra Teoria do Discurso (1933), propôs o modelo organon, no qual a linguagem tem três funções essenciais: a representativa (ou informativa), que descreve fatos e coisas do mundo; a expressiva, que manifesta os sentimentos e a subjetividade do falante; e a apelativa, que busca influenciar o comportamento do receptor. Embora mais simples que o modelo de Jakobson, o esquema de Bühler já antecipava a ideia de que a linguagem não tem apenas uma função, mas múltiplas direções possíveis de sentido. A linguagem representativa, por exemplo, aparece em textos jornalísticos e científicos, onde o autor busca transmitir informações de forma impessoal e objetiva, sem emitir juízos de valor sobre o que relata.

A linguagem expressiva, por sua vez, manifesta o estado emocional do falante — seus sentimentos, reações e impressões pessoais. Já a linguagem apelativa tem caráter persuasivo: o falante busca provocar uma reação no ouvinte, seja uma ordem, um pedido, uma sugestão ou uma argumentação. Bühler também introduziu o conceito de símbolo na linguagem, destacando que as palavras são signos convencionais que representam objetos e ideias, permitindo a comunicação entre os interlocutores.

O grande mérito de Jakobson foi expandir esse modelo para seis funções, cada uma vinculada a um dos seis elementos fundamentais de toda situação comunicativa: referente (contexto), emissor, receptor, canal (contato), código e mensagem. Essa ampliação permitiu analisar com muito mais precisão os diferentes usos da língua em diferentes gêneros textuais e situações comunicativas do cotidiano. Jakobson também destacou que nenhuma mensagem é monofuncional — toda comunicação apresenta várias funções simultâneas, mas uma sempre predomina dependendo do contexto e da intenção do falante.

Antes de Jakobson, o linguista suíço Ferdinand de Saussure já havia estabelecido a distinção entre langue (sistema da língua) e parole (ato individual de fala). Embora Saussure não tenha trabalhado diretamente com funções da linguagem, sua separação entre o sistema e o uso foi fundamental para que posteriores linguistas, como Jakobson, pudessem pensar nos diferentes papéis que a linguagem desempenha na comunicação real e cotidiana entre as pessoas. A linguística estrutural de Saussure abriu caminho para que estudiosos passassem a analisar não apenas a estrutura da língua, mas também como ela é empregada em diferentes contextos sociais e comunicativos.

✏️ A evolução do pensamento linguístico

Saussure (1916): língua como sistema (langue) vs. fala individual (parole). Jakobson parte dessa base para construir seu modelo de funções.

Bühler (1933): três funções — representativa, expressiva, apelativa. O embrião do modelo de Jakobson que estudaremos hoje.

Morris (1938): três dimensões da linguagem — semântica (relação com o referente), sintática (relações entre signos), pragmática (uso no contexto).

Jakobson (1960): seis funções vinculadas a seis elementos. O modelo mais completo e mais cobrado em provas do ensino médio.

Outro autor que merece destaque é Michael Halliday, linguista britânico, que propôs em 1973 as sete funções da linguagem no desenvolvimento infantil: instrumental (expressar necessidades), regulatória (controlar comportamento), interacional (socializar), personal (expressar identidade), heurística (explorar o mundo), imaginativa (criar mundos) e representativa (transmitir informação). Embora seu modelo seja menos cobrado em provas do ensino médio brasileiro, ele é muito utilizado na análise do desenvolvimento da linguagem infantil e na linguística aplicada. Halliday mostrou que a linguagem não apenas "comunica coisas", mas também permite ao indivíduo expressar necessidades, relacionar-se com os outros, organizar o próprio pensamento e criar mundos imaginários.

Outros linguistas importantes que contribuíram para a compreensão das funções da linguagem incluem Émile Benveniste, que discutiu as relações entre linguagem e subjetividade, demonstrando como a primeira pessoa do singular marcada na língua revela a presença do sujeito na enunciação; e John Austin, que desenvolveu a teoria dos atos de fala, mostrando que comunicar não é apenas descrever o mundo, mas também realizar ações — prometer, ordenar, perguntar, agradecer. Tudo isso formou o campo de estudo que hoje conhecemos como pragmática da linguagem, que estuda como o contexto influi na construção do sentido.

A compreensão desses modelos é essencial para o estudante porque as questões de funções da linguagem aparecem com frequência em vestibulares, ENEM e concursos. O mais importante é entender que as funções não são "caixinhas" isoladas — elas se complementam e coexistem em todo ato comunicativo. O que muda é o foco predominante de cada situação.

⚠️ Atenção: em provas, o modelo mais cobrado é o de Jakobson (seis funções). O modelo de Bühler (três funções) aparece em algumas questões como alternativa ou complemento. O de Halliday raramente cai, mas é bom ter noção da existência dele para ampliar seu repertório de conhecimento linguístico.

💡 Dica de estudo: para memorizar o modelo de Jakobson, associe cada função a um gênero textual: notícia → referencial; poema → poética; propaganda → conativa; diário pessoal → emotiva; dicionário → metalinguística; conversa telefônica → fática. Essa associação facilita a identificação rápida na hora da prova.

Função referencial e função conativa

A função referencial (ou denotativa) é a função da linguagem que tem como foco principal o referente, ou seja, o mundo exterior, a realidade objetiva. É a função mais usada em textos informativos, científicos, jornalísticos e acadêmicos. Quando alguém transmite uma informação de forma objetiva e impessoal, a função referencial está em ação. Essa função é avaliada em termos de verdade ou falsidade — o que interessa é se a informação corresponde à realidade dos fatos.

📌 Função referencial

Foco: o referente (o mundo, os fatos, as coisas).

Características: linguagem objetiva, impessoal, denotativa, informativa, baseada em fatos verificáveis.

Gêneros típicos: notícias jornalísticas, verbetes de enciclopédia, textos científicos, manuais de instrução, bulas de remédio, textos didáticos.

Exemplo: "O PIB brasileiro cresceu 2,9% no quarto trimestre de 2025."

Na função referencial, a mensagem é avaliada em termos de verdade ou falsidade. O que importa é se a informação corresponde à realidade. Não interessa quem fala nem como fala — importa o que é dito. Por isso, textos jornalísticos e científicos são os grandes representantes dessa função. O autor busca transmitir informações de forma clara, precisa e verificável, evitando adjetivações subjetivas e opiniões pessoais.

✏️ Exemplos de função referencial

"A água ferve a 100°C ao nível do mar." → informação científica objetiva, verificável.

"O Brasil é o maior produtor de café do mundo." → dado factual, comprovável por estatísticas.

"O cabelo humano cresce em média 1,25 cm por mês." → dado objetivo baseado em pesquisa.

"O governo federal aprovou o pacote fiscal na madrugada de terça-feira." → notícia com informações de tempo, lugar e ação.

"A temperatura mínima em São Paulo foi de 12°C nesta madrugada." → dado meteorológico objetivo.

As marcas linguísticas da função referencial incluem: uso de substantivos concretos e nomes próprios, verbos no presente ou pretérito (tempos factuais), ausência de adjetivos subjetivos, uso de números e datas, estrutura frasal simples e objetiva, e impessoalidade (sem marca de primeira pessoa). Quando você identificar essas características em um texto, é provável que a função referencial esteja predominando.

⚠️ Cuidado: uma notícia jornalística é referencial mesmo que tenha citações de autoridades. As citações podem ter caráter conativo ou emotivo, mas o texto como um todo é referencial. Na hora da prova, analise o propósito geral do gênero textual.

Agora vamos para a função conativa (ou apelativa), que é quase a "inverso" da referencial. Enquanto na referencial o foco está no mundo exterior, na conativa o foco está no receptor — o falante quer que o ouvinte faça algo, sinta algo ou mude de comportamento. É a função da persuasão, da influência, do comando.

📌 Função conativa

Foco: o receptor (o ouvinte, o leitor, o espectador).

Características: linguagem persuasiva, imperativa, apelativa, direcionada, com verbos de ação.

Gêneros típicos: propagandas, discursos políticos, textos publicitários, ordens militares, instruções de uso, editorial de jornal.

Exemplo: "Compre já! Só hoje com 50% de desconto!"

Na função conativa, o que importa é o efeito que a mensagem provoca no receptor. O falante usa a linguagem como ferramenta de influência: pode ordenar, pedir, convencer, sugerir, proibir, aconselhar. Os verbos no imperativo e as frases no afirmativo ou negativo são marcas típicas dessa função. A conativa também se manifesta em textos argumentativos, onde o autor busca convencer o leitor de uma tese ou posição.

✏️ Exemplos de função conativa

"Lave as mãos antes de comer." → instrução, orientação de comportamento.

"Vote no candidato X!" → persuasão política, convite à ação.

"Não fume. É prejudicial à saúde." → proibição com argumento de apoio.

"Experimente o novo sabor da marca Y!" → publicidade com convite à experiência.

"Leia este livro! Ele vai mudar sua vida." → recomendação com superlativo.

As marcas linguísticas da função conativa incluem: uso de verbos no imperativo, pronomes de tratamento (você, senhor, senhora), frases interrogativas retóricas ("Você já pensou nisso?"), adjetivos valorativos ("incrível", "exclusivo", "imperdível"), expressões de urgência ("só hoje", "última chance"), e estruturas de convite ou convocação.

AspectoFunção ReferencialFunção Conativa
FocoO referente (mundo exterior)O receptor (ouvinte/leitor)
ObjetivoInformar fatosConvencer, ordenar, influenciar
LinguagemObjetiva, impessoal, denotativaSubjetiva, persuasiva, imperativa
GênerosNotícia, ciência, manualPropaganda, discurso, ordem
AvaliaçãoVerdadeiro ou falsoEficiente ou ineficiente
Exemplo"O Sol nasceu às 6h12.""Acorde cedo para ser produtivo!"

💡 Dica de prova: se a mensagem transmite informação objetiva sobre o mundo, é referencial. Se tenta mudar o comportamento do receptor, é conativa. Um texto jornalístico é referencial; uma propaganda do mesmo jornal é conativa. O editorial de jornal é conativo (defende posição); a manchete é referencial (informa o fato).

Função poética e função emotiva

A função poética é uma das mais estudadas e mais cobradas em provas, especialmente em questões que envolvem análise literária e recursos expressivos. Ela tem como foco a própria mensagem — a forma como ela é construída, o jogo com as palavras, o ritmo, as sonoridades, as figuras de linguagem. Jakobson definiu a função poética como o "eixo seletivo e combinatorio" da linguagem: o falante seleciona palavras e combina-as de forma estética para produzir um efeito especial.

📌 Função poética

Foco: a mensagem em si (a forma, o estilo, o jogo de palavras).

Características: linguagem conotativa, figurada, estilizada, com ritmo e sonoridade, uso intencional de recursos expressivos.

Gêneros típicos: poemas, letras de música, rimas, propagandas com jogos de palavras, frases de efeito, provérbios.

Exemplo: "A vida é um palco onde todos atuam, mas poucos sabem o papel."

Jakobson definiu a função poética como o "foco na mensagem por ela mesma". Enquanto na referencial o foco é o mundo, na conativa é o receptor, e na emotiva é o emissor — na poética, o que importa é como a mensagem é dita. O ritmo, a métrica, as rimas, as figuras de linguagem e os jogos de palavras são marcas típicas dessa função. O autor explora o sistema linguístico para criar efeitos estéticos que vão além do significado literal das palavras.

A função poética não se limita aos poemas. Ela aparece em propagandas ("Pense grande, pense small"), em frases de efeito ("A vida é curta, mas é longa o bastante para ser feliz"), em letras de música ("Aquele abraço" — Veloso) e até em conversas cotidianas quando brincamos com as palavras. Qualquer texto que explore a forma da mensagem, criando sonoridade, ritmo ou imagens, apresenta função poética.

✏️ Exemplos de função poética

"Ode à Boniteza do Cotidiano" → título com ritmo e musicalidade, uso de metáfora.

"Rosa, vermelha rosa, vermelha e doce rosa." → repetição e ritmo que criam efeito estético.

"Seus olhos são dois solos, dois solos profundos." → metáfora e jogo de palavras (solos/solhos).

"Beijo na boca, beijo no peito, beijo na alma." → anáfora e ritmo crescente.

"Muno sonho, muno amor, muna saudade." → neologismo e repetição.

As marcas linguísticas da função poética incluem: rimas (finais, intermediárias, riqueza), metrificação (versos regulares), figuras de linguagem (metáfora, hipérbole, personificação), repetições (anáfora, epífora), jogos de palavras (catacrese, paronomásia), sonoridade (aliteração, assonância) e organização visual do texto (versos, estrofes).

📌 Função emotiva (ou expressiva)

Foco: o emissor (quem fala, quem escreve).

Características: linguagem subjetiva, emotiva, pessoal, expressiva, com marcas de primeira pessoa.

Gêneros típicos: diário pessoal, cartas íntimas, mensagens de WhatsApp, confissões, reclamações, poemas líricos.

Exemplo: "Que dia horrível! Tudo deu errado desde cedo."

Na função emotiva, o que interessa é o estado emocional do emissor. Não importa se a informação é objetiva (referencial) ou se o ouvinte vai agir (conativa) — importa como o falante se sente. Marcadores como interjeições ("Nossa!", "Ah!", "Ufa!"), advérbios de intensidade ("muito", "demais", "tão") e adjetivos subjetivos ("lindo", "terrível", "maravilhoso") são típicos dessa função.

A função emotiva se manifesta especialmente em situações em que o falante expressa sentimentos espontâneos e pessoais. Ela é a função da subjetividade — do prazer, da dor, da alegria, da tristeza, da raiva, do amor. Diferente da poética, que explora a forma da mensagem, a emotiva expressa o estado interior do emissor. Um poema lírico pode apresentar as duas funções simultaneamente.

✏️ Exemplos de função emotiva

"AdoroChocolate! É a melhor coisa do mundo!" → entusiasmo pessoal com adjetivos superlativos.

"Que fossa... Tô tão triste que nem sei o que fazer." → expressão de sentimento com coloquialismo.

"Meu Deus, que alegria encontrar vocês!" → emoção expressa com interjeição e exclamação.

"Eu simplesmente não aguento mais esse trânsito!" → frustração pessoal com advérbio de intensidade.

"Amo-te mais que a vida inteira." → declaração de sentimento amoroso.

As marcas linguísticas da função emotiva incluem: interjeições ("Ah!", "Nossa!", "Ufa!"), exclamações, adjetivos subjetivos ("lindo", "terrível", "maravilhoso"), advérbios de intensidade ("muito", "demais", "tão"), pronome "eu" (marca de subjetividade), verbos de sentimento ("amar", "odiar", "preferir", "desejar"), e expressões coloquiais que denotam emoção.

AspectoFunção PoéticaFunção Emotiva
FocoA mensagem (forma, estilo)O emissor (emoção, sentimento)
ObjetivoExplorar a forma, criar estéticaExpressar sentimento pessoal
LinguagemFigurada, rítmica, sonoraSubjetiva, pessoal, emotiva
GênerosPoema, música, propagandaDiário, carta, WhatsApp
MarcasRimas, metáforas, repetiçãoInterjeições, adjetivos subjetivos
Exemplo"O sol dança no horizonte""Que sol bonito, estou feliz!"

⚠️ Cuidado na prova: a função poética e a emotiva podem parecer parecidas porque ambas envolvem subjetividade. A diferença essencial: na poética, o foco é a forma da mensagem (ritmo, sonoridade, figura); na emotiva, o foco é o sentimento do emissor (alegria, tristeza, raiva). "Que sol bonito!" (emotiva — sentimento) vs. "O sol beija os campos" (poética — metáfora e forma).

💡 Truque para a prova: se a mensagem brinca com a forma das palavras (rima, metáfora, ritmo) → poética. Se a mensagem expressa sentimento do falante (alegria, raiva, tristeza) → emotiva. Se tenta convencer o ouvinte → conativa. Se informa fatos → referencial. Se verifica o canal → fática. Se fala da língua → metalinguística.

Função metalinguística e função fática

A função metalinguística é a função da linguagem que usa a linguagem para falar da própria linguagem. Quando definimos uma palavra, explicamos uma regra gramatical ou discutimos o significado de um termo, estamos exercendo a função metalinguística. É a função do código — o foco está na própria língua como objeto de análise e reflexão. Essa função é fundamental para o estudo da gramática, da terminologia linguística e da própria ciência da linguagem.

📌 Função metalinguística

Foco: o código (a própria língua, o sistema linguístico).

Características: linguagem objetiva, explicativa, definidora, analítica.

Gêneros típicos: dicionários, gramáticas, aulas de língua, manuais de redação, verbetes de enciclopédia, glossários.

Exemplo: "Substantivo é a palavra que designa seres, coisas, qualities ou ações."

Na função metalinguística, o código (a língua) se torna o objeto de análise. O falante não está falando do mundo (referencial), de si mesmo (emotiva), do ouvinte (conativa) nem da forma da mensagem (poética) — está falando da própria língua. Por isso, todas as definições de palavras, explicações gramaticais e discussões sobre significado são exemplos de função metalinguística. Essa função é essencial para o ensino da língua, pois permite ao estudante compreender como a língua funciona.

A função metalinguística também aparece em situações cotidianas, quando perguntamos sobre o significado de uma palavra, quando explicamos o sentido de uma expressão a alguém ou quando discutimos regras de escrita. Ela é a função da reflexão sobre a língua — do momento em que paramos para pensar como funciona o sistema linguístico que usamos diariamente.

✏️ Exemplos de função metalinguística

"O que significa 'ambiguidade'?" → pergunta sobre o significado de uma palavra.

"Função referencial é aquela que tem foco no referente." → definição de conceito linguístico.

"Substantivo é toda palavra que pode ser antecipada pelo pronome isso." → explicação gramatical.

"A palavra 'pena' pode significar instrumento de escrita ou sentimento de compaixão." → discussão sobre significado.

"Verbos regulares seguem o padrão da conjugação: cantar → canto, cantas, canta." → explicação de regra gramatical.

As marcas linguísticas da função metalinguística incluem: verbos de definição ("é", "significa", "denota", "designa"), estruturas explicativas ("O termo X quer dizer..."), aspas para destacar palavras sendo analisadas, exemplos gramaticais e terminologia técnica da linguística.

Agora vamos para a função fática, que é menos estudada mas igualmente importante. A função fática tem como foco o canal de comunicação — o "contato" entre emissor e receptor. Seu objetivo é estabelecer, manter ou verificar se a comunicação está funcionando adequadamente. É a função do contato em si, do ato de se comunicar.

📌 Função fática

Foco: o canal (contato, comunicação em si).

Características: linguagem ritualizada, de manutenção, verificativa, com expressões convencionais.

Gêneros típicos: conversas telefônicas, abertura de aulas, saudações, testes de microfone, fórmulas de cortesia.

Exemplo: "Alô? Me ouve? Tá funcionando?"

A função fática aparece em situações em que o conteúdo da mensagem é secundário — o que importa é verificar se o canal está aberto e se a comunicação pode prosseguir. Expressões como "Alô", "Oi", "Tá aí?", "Me escuta?", "Entendeu?" são marcas típicas da função fática. Ela também aparece em saudações ("Bom dia!", "Tudo bem?"), em fórmulas de cortesia ("Como vai?", "Prazer em conhecê-lo") e em testes de comunicação ("Um, dois, três... som!").

A função fática foi estudada pelo antropólogo Malinowski, que cunhou o termo "phatic communion" (comunhão fática) para descrever as funções sociais da linguagem que vão além da transmissão de informação. As saudações, por exemplo, não transmitem dados sobre o mundo — servem para estabelecer e manter vínculos sociais, para demonstrar que o interlocutor está presente e disponível para a comunicação.

✏️ Exemplos de função fática

"Alô? Tá me ouvindo?" → verificação do canal telefônico.

"Oi, tudo bem?" → abertura de contato social.

"Entendeu o que eu disse?" → verificação de compreensão.

"Um, dois, três... teste de microfone!" → teste de equipamento de comunicação.

"Bom dia, professor!" → fórmula de saudação ritualizada.

"Ok, estou aqui. Pode falar." → confirmação de presença no canal.

As marcas linguísticas da função fática incluem: interjeições de saudação ("Oi", "Alô", "E aí"), perguntas de verificação ("Entendeu?", "Tá claro?", "Certo?"), expressões de confirmação ("Tá bom", "Certo", "Beleza"), fórmulas de cortesia ("Prazer em conhecê-lo", "Como vai?") e testes de canal ("Um, dois, três...").

AspectoFunção MetalinguísticaFunção Fática
FocoO código (a língua)O canal (contato)
ObjetivoDefinir, explicar, analisar a línguaManter, verificar, estabelecer comunicação
LinguagemObjetiva, explicativa, técnicaRitualizada, convencional, de manutenção
GênerosDicionário, gramática, aulaTelefone, saudação, teste
MarcasVerbos de definição, aspas, terminologiaInterjeições, perguntas de verificação
Exemplo"O que significa 'alusão'?""Alô? Me ouve?"

💡 Tabela completa das 6 funções (Jakobson):

FunçãoFocoExemploQuando usar
ReferencialReferente (mundo)"O gato está no telhado."Informar fatos
EmotivaEmissor (eu)"Que gato lindo!"Expressar emoção
ConativaReceptor (tu)"Acene para o gato!"Convencer, ordenar
FáticaCanal (contato)"Tá vendo o gato?"Manter contato
PoéticaMensagem (texto)"O gato caminhou sobre o silêncio."Explorar forma
MetalinguísticaCódigo (língua)"O que significa 'gato'?"Falar da língua

⚠️ Erro clássico: confundir função fática com função emotiva. Na fática, o foco é o canal (a comunicação funciona?). Na emotiva, o foco é o emissor (o que ele sente?). "Oi, tudo bem?" é fática (saudação que estabelece contato). "Oi, que bom te ver!" é emotiva (emoção do falante).

💡 Resumo final para memorizar: referencial = informa; emotiva = sente; conativa = convence; fática = mantém contato; poética = encanta; metalinguística = explica. Memorize essas palavras-chave e você identificará qualquer função na hora da prova.

Você sabia?

Jakobson: o pai das funções

Roman Jakobson (1896-1982) definiu 6 funções da linguagem em 1960. Antes dele, a linguística só estudava a estrutura das frases. Jakobson mostrou que a linguagem serve para MUITAS coisas além de informar.

Função emotiva: o eu que fala

"EU amo VOCÊ" — a função emotiva coloca o emissor no centro. É a função da poesia lírica, dos diários, dos sentimentos. Toda vez que você diz "eu acho", "eu sinto", está usando a função emotiva.

Questões 1–15

Identificação das funções da linguagem.

1. A função da linguagem que tem foco no mundo exterior e transmite informações objetivas é:

2. Em 'Que frio terrível!', a função predominante é:

3. A função que visa influenciar o comportamento do receptor é:

4. Em 'Compre já! Só hoje com 50% de desconto!', predomina:

5. A função que usa a linguagem para falar da própria linguagem é:

6. Em 'Substantivo é toda palavra que designa seres ou coisas', a função é:

7. A função fática tem como foco:

8. Em 'Alô? Me ouve?', a função predominante é:

9. A função poética explora:

10. Em 'A vida é um palco onde todos atuam', temos:

11. Em 'O Sol nasceu às 6h12', a função predominante é:

12. Em 'Adoro este lugar! É lindo demais!', a função predominante é:

13. Roman Jakobson propôs quantas funções da linguagem?

14. Em 'Bom dia! Tudo bem?', a função predominante é:

15. A função que tem foco no emissor é:

Questões 16–30

Análise de funções em contextos variados.

1. Em 'A água é composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio', a função predominante é:

2. Em 'Vota no candidato que vai mudar o país!', a função predominante é:

3. Em 'O que significa ambiguidade?', a função predominante é:

4. Em 'Meu Deus, que alegria! Não acredito!', a função predominante é:

5. Em 'Beijo na boca, beijo no peito, beijo na alma', temos:

6. Em 'Um, dois, três... teste de microfone!', a função predominante é:

7. Em 'O governo aprovou o orçamento na madrugada', a função predominante é:

8. Em 'Lave as mãos com sabão por 20 segundos', a função predominante é:

9. Em 'Que noite maravilhosa! As estrelas brilham como diamantes!', temos:

10. Em 'OBS: a palavra singelo significa delicado, simples', a função predominante é:

11. Quando um professor diz 'Entendeu? Qualquer dúvida, levante a mão', qual função predomina no trecho 'Entendeu?'?

12. Em uma propaganda de perfume: 'Encante os sentidos. Toque a essência do desejo.', qual função predomina?

13. Em 'Amo-te mais que a vida, mais que tudo neste mundo', qual função predomina?

14. Em 'O haicai é um poema de três versos com 17 sílabas', qual função predomina?

15. Qual das alternativas apresenta a função fática?

Perguntas Frequentes

Quais são as seis funções da linguagem de Jakobson?

São: referencial (foco no referente), emotiva (foco no emissor), conativa (foco no receptor), fática (foco no canal), poética (foco na mensagem) e metalinguística (foco no código). Cada uma corresponde a um elemento da comunicação.

Qual a diferença entre função referencial e informativa?

São a mesma coisa. A função referencial também é chamada de função informativa ou denotativa. O foco é o mundo exterior, a transmissão objetiva de fatos e informações.

A função poética aparece apenas em poemas?

Não. Ela aparece em qualquer texto que explore a forma da mensagem: poemas, letras de música, propagandas com jogos de palavras, frases de efeito e até conversas cotidianas quando brincamos com as palavras.

Qual a diferença entre função emotiva e conativa?

Na emotiva, o foco é o emissor (o que ele sente). Na conativa, o foco é o receptor (o que o falante quer que ele faça). 'Que frio!' (emotiva) vs. 'Use um casaco!' (conativa).

A função fática é muito cobrada em provas?

Sim, em questões de identificação. Expressões como 'Alô?', 'Oi, tudo bem?', 'Me ouve?' e 'Entendeu?' são exemplos típicos. A função fática aparece em quase toda prova de funções da linguagem.

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