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História

D. Leopoldina e José Bonifácio: Os Heróis Esquecidos da Independência

D. Leopoldina e José Bonifácio foram decisivos para a Independência do Brasil, mas ficaram à sombra de D. Pedro I. Conheça o papel de cada um no processo de 1822, sua biografia e legado.

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Equipe CriarProvas
📅 16 de ago. de 2026⏱️ 6 min de leitura
D. Leopoldina e José Bonifácio: Os Heróis Esquecidos da Independência
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História Brasil Império Personagens 7º e 8º Ano

Publicado pela Equipe CriarProvas | Parte do Guia: Dia da Independência do Brasil

A história oficial costuma resumir a independência a um único herói: D. Pedro I. Mas por trás do Grito do Ipiranga havia duas figuras fundamentais que trabalharam nos bastidores: a imperatriz D. Leopoldina e o estadista José Bonifácio de Andrada e Silva. Sem eles, a separação de Portugal teria sido muito mais difícil — ou talvez não tivesse acontecido da forma que conhecemos.

D. Leopoldina: a imperatriz que decidiu a independência

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Quem foi D. Leopoldina

Maria Leopoldina de Habsburgo (1797-1826) era uma arquiduquesa austríaca, filha do imperador Francisco I da Áustria. Casou-se com D. Pedro em 1817, por arranjo, e chegou ao Brasil aos 20 anos. Era culta, falava vários idiomas e tinha sólida formação científica — uma das princesas mais instruídas de sua geração na Europa.

Retrato de D. Maria Leopoldina, arquiduquesa da Áustria
Retrato de Maria Leopoldina (1815) — Wikimedia Commons.
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Seu papel no 7 de setembro

Enquanto D. Pedro viajava a São Paulo, D. Leopoldina permaneceu no Rio de Janeiro como regente. Em 2 de setembro de 1822, ela presidiu a reunião do Conselho de Ministros que decidiu recomendar a ruptura definitiva com Portugal. As cartas enviadas por ela — e pelos ministros — chegaram a D. Pedro no Ipiranga e foram determinantes para o "Independência ou Morte!". A historiografia contemporânea reconhece nela um papel de verdadeira articuladora política, e não apenas de coadjuvante.

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O fim trágico

Vida difícil ao lado de um marido infiel e autoritário, sucessivas gravidezes e o abandono afetivo marcaram seus últimos anos. D. Leopoldina morreu em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos, no Rio de Janeiro, após complicações de um aborto. Em 2012, seus restos mortais foram levados ao Monumento à Independência, ao lado dos de D. Pedro I, simbolizando o reconhecimento tardio de sua importância.

Imperatriz Leopoldina no Museu Imperial de Petrópolis
Imperatriz Leopoldina — Museu Imperial (Wikimedia Commons).
📚 Leopoldina em destaque: em 2022, durante as comemorações do bicentenário da independência, o papel de D. Leopoldina ganhou enorme visibilidade na mídia e nos livros didáticos. Diversas publicações e exposições passaram a retratá-la como a "imperatriz que decidiu a independência", corrigindo um apagamento histórico que durou quase dois séculos.

José Bonifácio: o Patriarca da Independência

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Quem foi José Bonifácio

José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) foi um dos cientistas mais importantes do Brasil: estudou mineralogia e química na Europa, foi professor e membro de academias científicas, e tornou-se ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros de D. Pedro. Ficou conhecido como "Patriarca da Independência" por sua liderança política.

Retrato de José Bonifácio de Andrada e Silva (1832)
Retrato de José Bonifácio de Andrada e Silva (1832) — Wikimedia Commons.
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O articulador político

Bonifácio coordenou a correspondência com as províncias, negociou alianças e convenceu D. Pedro a resistir às Cortes de Lisboa. Ele também foi autor de textos fundamentais sobre a necessidade da unidade e da monarquia para evitar a fragmentação do território, como ocorreu na América espanhola. Sua visão de Estado nacional forte e centralizado influenciou diretamente a Constituição de 1824.

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Queda, exílio e retorno

Disputas de poder levaram à sua demissão do ministério em 1823 e ao exílio na França. Voltou ao Brasil em 1829 e, em 1831, foi nomeado tutor de D. Pedro II. Defensor da abolição da escravatura em uma época em que poucos ousavam o tema — chegou a apresentar propostas de extinção gradual do tráfico e da escravidão —, morreu em 1838, em Niterói.

Homenagem a José Bonifácio, patrono da Independência
José Bonifácio, homenagem do Senado Federal (2018) — Wikimedia Commons.
💡 Para sala de aula: proponha um debate: "A independência do Brasil teria acontecido sem D. Leopoldina e José Bonifácio?" Use as cartas de Leopoldina e os documentos de Bonifácio para mostrar que o processo de 1822 foi coletivo e político, muito além de um gesto heroico. Divida a turma em dois grupos: um que defende o papel central de D. Pedro e outro que defende o papel dos "bastidores". Essa atividade desenvolve argumentação e pensamento histórico.

Os bastidores: como a decisão de 2 de setembro mudou a história

Cinco dias antes do Grito do Ipiranga, no Rio de Janeiro, aconteceu um dos episódios mais decisivos e menos conhecidos do processo de independência. Com D. Pedro ausente, D. Leopoldina assumiu o papel de regente e reuniu o Conselho de Ministros. A sessão, ocorrida em 2 de setembro de 1822, contou com a participação de José Bonifácio e de outras lideranças políticas.

O conselho deliberou e aprovou uma recomendação clara: era preciso romper definitivamente com Portugal. D. Leopoldina redigiu e assinou a carta que seria enviada a D. Pedro, e os ministros fizeram o mesmo. Quando essas correspondências chegaram ao príncipe, em sua viagem entre Santos e São Paulo, a decisão já estava praticamente tomada — o grito no Ipiranga foi a confirmação pública de um projeto articulado nos bastidores.

Esse episódio é fundamental para entender por que historiadores falam da independência como um projeto político coletivo, e não como um gesto individual. A força de Leopoldina estava na condução do conselho; a de Bonifácio, na articulação com as províncias e na redação das diretrizes do novo Estado. D. Pedro, por sua vez, teve o papel — não menos importante — de dar o rosto e o simbolismo ao processo.

Por que esses personagens importam para as provas

D. Leopoldina e José Bonifácio são presença constante em questões de História do Brasil de vestibulares, ENEM e concursos públicos. As provas costumam explorar o papel do Conselho de Ministros de setembro de 1822, a construção do Estado nacional e a comparação entre o processo brasileiro e as independências hispano-americanas. Saber o papel específico de cada personagem — e não apenas a data do Grito do Ipiranga — faz a diferença em questões discursivas e de análise de documentos.

Além disso, o estudo dessas figuras permite discutir temas transversais da BNCC, como o protagonismo feminino na história e a construção da memória nacional. Perguntas como "por que Leopoldina foi apagada dos livros didáticos por tanto tempo?" estimulam o pensamento crítico e a reflexão sobre quem escreve a história.

Busto de D. Leopoldina
Busto de D. Leopoldina — Wikimedia Commons.

Linha do tempo: os bastidores de 1822

DataAcontecimentoPersonagem
1817Casamento de D. Pedro e LeopoldinaD. Leopoldina
1821Bonifácio assume como ministroJosé Bonifácio
9/1/1822Dia do FicoD. Pedro
2/9/1822Conselho decide a rupturaD. Leopoldina
7/9/1822Grito do IpirangaD. Pedro
12/10/1822Aclamação de D. Pedro I
1823Bonifácio é demitidoJosé Bonifácio

Perguntas Frequentes

Qual foi o papel de D. Leopoldina na independência?
Ela presidiu o Conselho de Ministros que decidiu a ruptura e enviou a D. Pedro as cartas que o convenceram a proclamar a independência.
Quem foi José Bonifácio?
Cientista e estadista, principal articulador político da independência, chamado de "Patriarca da Independência".
Como D. Leopoldina morreu?
Em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos, após complicações de um aborto e profundo abatimento.
O que aconteceu com José Bonifácio após a independência?
Foi demitido em 1823 e exilado na França. Retornou em 1829 e tornou-se tutor de D. Pedro II.

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