Figuras de Sintaxe: Elipse, Zeugma, Anáfora, Pleonasmo e Silepse
Aprenda as figuras de sintaxe (construção): elipse, zeugma, anáfora, pleonasmo, silepse, inversão, polissíndeto e assíndeto, com exemplos comentados e exercícios.
O que são as figuras de sintaxe?
As figuras de sintaxe (ou figuras de construção) alteram a estrutura da frase: omitem termos que o contexto permite subentender, repetem estruturas para dar ritmo, invertem a ordem natural da oração ou fazem a concordância "pelo sentido".
📌 Definição
Figuras de sintaxe são desvios na organização sintática do período que produzem efeitos de concisão, ênfase, ritmo ou expressividade — sem quebrar a compreensão.
As principais são: elipse (omissão de termo), zeugma (omissão de termo já dito), anáfora (repetição de palavras), pleonasmo (repetição enfática de ideia), silepse (concordância pelo sentido), inversão (ordem alterada), polissíndeto (repetição de conectivos) e assíndeto (supressão de conectivos).
💡 Dica: para reconhecer figuras de sintaxe, compare a frase com a "forma neutra" esperada. O que está faltando? Elipse/zeugma. O que está repetido? Anáfora/pleonasmo/polissíndeto. O que está fora do lugar? Inversão. O que concorda estranho? Silepse.
Elipse e zeugma: a omissão
A elipse é a omissão de um termo que se subentende facilmente pelo contexto. O zeugma é um tipo de elipse em que o termo omitido já foi expresso antes na frase.
✏️ Elipse
"[Eu] Cheguei cansado." — omissão do sujeito "eu"
"[Nós] Vamos ao cinema?" — omissão do sujeito "nós"
"Na mesa, [havia] flores." — omissão do verbo "havia"
✏️ Zeugma
"Maria gosta de maçã; João, [gosta] de banana." — o verbo "gostar" foi dito antes e omitido
"Eu compro o pão, você, [compra] o leite."
⚠️ Elipse x zeugma: na elipse, o termo omitido não apareceu antes; no zeugma, já apareceu e foi reaproveitado. "Cheguei cansado" (elipse do eu). "Eu gosto de sol; ela, de chuva" (zeugma do gostar).
💡 Efeito: a omissão deixa o texto conciso e ágil, evitando repetições desnecessárias — recurso muito valorizado na redação.
Anáfora e pleonasmo: a repetição
A anáfora repete palavras ou estruturas no início de versos ou orações, criando ritmo e reforçando a ideia. O pleonasmo repete uma ideia já expressa para enfatizá-la.
✏️ Anáfora
"Se você quer, se você pode, se você sonha."
"Da aurora da minha vida, da minha infância querida..." (Casimiro de Abreu)
"Que amor, que sonhos, que flores."
✏️ Pleonasmo
"Subir para cima." · "Descer para baixo."
"Vi com meus próprios olhos."
"O horror do que vi era horrível." (ênfase)
⚠️ Atenção: o pleonasmo vicioso ("subir para cima") é erro de redação. O pleonasmo estilístico, usado para ênfase em textos literários e oratórios, é figura: "Vi com meus próprios olhos".
Silepse: a concordância pelo sentido
A silepse é a concordância feita pelo sentido, e não pela forma gramatical. Existem três tipos:
| Tipo | O que faz | Exemplo |
|---|---|---|
| Silepse de gênero | Concorda com o sexo das pessoas, não com o gênero das palavras | "Vossa Senhoria está preocupado" (com homem) |
| Silepse de número | Concorda com a quantidade de pessoas, não com o número gramatical | "A multidão gritaram" (as pessoas gritaram) |
| Silepse de pessoa | Concorda com a pessoa que fala, não com o sujeito gramatical | "Os brasileiros somos alegres" (o falante se inclui) |
📌 Exemplos clássicos
"A gente somos fortes." (pessoa: 'a gente' é 3ª, mas o falante se inclui em 'nós')
"A multidão avançaram para o palco." (número)
"Os leitores ficamos surpresos." (o escritor se inclui)
💡 Na prova: a silepse é quase sempre dessa lista de exemplos clássicos. Se aparecer "Vossa Excelência está cansado" ou "a multidão gritaram", reconheça a concordância ideológica.
Inversão, polissíndeto, assíndeto e anacoluto
A inversão (ou hipérbato) altera a ordem natural da frase (sujeito + verbo + complemento) para dar ênfase ou ritmo.
✏️ Inversão
"De tudo ficou um pouco." (ordem esperada: "Ficou um pouco de tudo")
"Belos eram os seus olhos."
O polissíndeto repete as conjunções ("e", "ou", "nem") para dar ritmo e enfatizar cada elemento. O assíndeto faz o oposto: omite os conectivos, deixando o ritmo rápido e direto.
✏️ Polissíndeto e assíndeto
Polissíndeto: "E trava, e luta, e briga, e resiste."
Assíndeto: "Vim, vi, venci." (sem "e")
Assíndeto: "Pão, terra, paz, educação."
O anacoluto é a "quebra" da construção sintática no meio da frase, deixando um termo "solto" (sem função definida) — comum na fala e em textos que reproduzem a oralidade.
✏️ Anacoluto
"Esses políticos, eu não acredito em nenhum." ("esses políticos" fica solto)
"O trem, ele sempre atrasa."
Você sabia?
"Chegou, chorou, abraçou, beijou" — o polissíndeto (repetição de "e") transmite emoção e urgência. Em contraste, o assíndeto ("chegou, chorou, abraçou, beijou") é mais seco e objetivo."
"Quer ir?" (sem dizer "você") — a elipse omite palavras óbvias. É uma figura tão comum que nem percebemos: a língua portuguesa é naturalmente elíptica na fala cotidiana."
Atividade: reconhecendo as figuras de sintaxe
Identifique a figura de sintaxe presente em cada frase.
1. 'Maria gosta de sol; João, de chuva.' — Temos:
2. 'Cheguei, vi e venci.' — Temos:
3. 'E trava, e luta, e briga, e resiste.' — Temos:
4. 'Se você quer, se você pode, se você sonha.' — Temos:
5. 'A gente somos fortes.' — Temos:
Atividade: elipse, zeugma e pleonasmo
Aprofunde na omissão (elipse/zeugma) e na repetição (pleonasmo).
1. 'Em casa, [esperavam] os convidados.' — A omissão do verbo é:
2. 'Eu como pão; ele, arroz.' — Temos:
3. 'Vi com meus próprios olhos.' — Temos:
4. 'Esses políticos, eu não acredito em nenhum.' — Temos:
5. 'Subir para cima' em uma redação formal seria:
Atividade: silepse na prática
Reconheça a concordância ideológica (pelo sentido).
1. 'Vossa Excelência está preocupado com a pauta.' — Se o ministro é homem, temos:
2. 'A multidão invadiram o estádio.' — Temos:
3. 'Os alunos chegamos primeiro à quadra.' — Quem fala?
4. A silepse é também chamada de:
5. 'Vossa Santidade é muito bondoso.' — Em relação ao papa, temos:
💬 Opiniões e Dicas
O que quem ensina português acha de verdade sobre este tema? Reunimos opiniões e dicas práticas de professores e especialistas para você estudar do jeito certo — e economizar tempo.
Meus alunos confundem figuras de sintaxe o tempo todo, e eu explico assim: a figura de palavra mexe no sentido, a figura de pensamento mexe na ideia, a de som mexe no barulho, e a de sintaxe mexe no esqueleto da frase — o que foi tirado, o que foi repetido, o que foi invertido. Essa pergunta única resolve 80% das questões.
Na redação, a elipse e o zeugma são ferramentas de concisão: 'O governo prometeu obras; a população, resultados.' Sem repetir o verbo, a frase ganha ritmo. Mas cuidado: omita apenas o que o contexto permite subentender com clareza — omissão que gera ambiguidade é erro.
Repare como discursos e poemas repetem a mesma palavra no início: 'Não tenho medo, não tenho pressa, não tenho dúvida.' É a anáfora — ela cria cadência e martela a ideia na cabeça do leitor. Use-a em redações para dar coesão e força retórica às suas ideias.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre elipse e zeugma?
Na elipse, o termo omitido não apareceu antes ('Cheguei cansado' — omite-se 'eu'). No zeugma, o termo omitido já foi dito antes e é reaproveitado ('Maria gosta de sol; João, de chuva').
O que é anáfora?
É a repetição de palavras ou estruturas no início de versos ou orações: 'Se você quer, se você pode, se você sonha'. Cria ritmo e ênfase.
O que é pleonasmo?
É a repetição enfática de uma ideia. O pleonasmo estilístico é figura ('vi com meus próprios olhos'); o vicioso ('subir para cima') é erro a evitar na redação.
O que é silepse?
É a concordância pelo sentido (ideológica), não pela forma: 'a gente somos fortes' (pessoa), 'a multidão gritaram' (número), 'Vossa Excelência está preocupado' (gênero).
O que é assíndeto e polissíndeto?
O assíndeto omite conectivos ('vim, vi, venci'); o polissíndeto os repete exaustivamente ('e trava, e luta, e briga, e resiste'). Ambos produzem ritmo — um de rapidez, outro de insistência.
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